01/09/2026 às 19:12

Projeto Amamentar - Gabriela Mello

0
4min de leitura


Oi, eu sou a Gabriela, dentre várias outras coisas, hoje sou mãe do Ernesto que chegou há 5 meses.

A chegada de Ernesto foi totalmente diferente do que eu planejei - a maternidade ensinando sempre que não controlamos nada! - e é importante falar disso porque tenho certeza do impacto que foi para a minha amamentação. Eu planejei um parto domiciliar, mas às 34 semanas e 3 dias de gestação senti que meu bebê não estava mexendo como sempre. Fui ao hospital certa de que estaria tudo bem e logo seria liberada pra seguir o dia. Mas não foi assim. Fui encaminhada pra uma cesárea de emergência porque meu bebê não estava recebendo oxigênio suficiente.


Ernesto nasceu bem, mas precisou de ajuda pra respirar melhor e por isso foi pra UTI neonatal. E porque digo que isso impactou? Não tivemos hora de ouro, ele precisou usar sonda e na UTI tive que brigar pra dar meu colostro. Além disso, já ofertavam 15ml de fórmula a cada 3h para um prematuro recém nascido! Fiquei extremamente angustiada com isso, mas sem forças pra brigar mais. O que eu tentava fazer era ordenhar na mão algumas gotas do colostro pra oferecer pro meu bebê até a descida do leite. Entre noites não dormidas e o coração apertado por ter meu bebê numa UTI, eu tentava muito ordenhar leite pra oferecer a ele. Era um desespero, além de muito cansaço físico e emocional. Eu literalmente corria pelos corredores do hospital pra ir até a sala de ordenha pra tentar tirar os 15ml pra próxima mamada dele. Claro que esse estresse não me ajudava na produção e, ordenha não é igual a uma mamada efetiva.

Só no quinto dia Ernesto veio ao meu peito pela primeira vez. Me emocionei quando ele pegou o peito e começou a sugar. Parecia que daria tudo certo. Era o começo da nossa luta pela amamentação. Só conseguimos sair da UTI com a translactação e assim fomos até a alta do hospital 10 dias depois que ele nasceu.


Chegar em casa e seguir com a rotina de translactar era estressante. As mamadas demoravam, eram muitas tentativas até Ernesto sugar direitinho e tomar todo o complemento. Mas eu seguia no mantra "vai passar", acreditando que em breve as mamadas ficariam boas e não precisaríamos mais complementar. Nesse ponto também lembro da dificuldade que era pra ordenhar. Seguir um dia cuidando de um bebê recém nascido, com aquela clássica privação de sono, me fazia não conseguir ter uma rotina de ordenhas e eu me culpava muito por isso.

Os dias iam passando e cada hora aparecia uma questão. Inicialmente fui orientada a procurar uma fonoaudióloga pra avaliar Ernesto. Aí começou uma rotina semanal de idas à fono. Ernesto precisava de uma ajuda, por ser prematuro, pra desenvolver melhor a musculatura do rosto pra conseguir mamar efetivamente. Foi sinalizado também a necessidade de realizar a frenectomia e lá fomos nós. Deu certo, a mamada melhorou, mas ainda não tava perfeita e Ernesto não conseguia tirar o leite nos meus seios da melhor forma.


Nisso tudo o ganho de peso dele era sempre arrastado. Sempre no limite mínimo. Tivemos a orientação de trocar a forma de complementar. Tentamos copo de shot - eu dava um banho de leite no menino e ele devia tomar só uns 10% só leite. E depois a colher dosadora, que Ernesto dava um escândalo pra conseguir tomar só um pouco. Nesses dias de tentativas de tirar a translactação, infelizmente, Ernesto caiu na curva do peso. Me bateu um desespero...e pra completar, começou a não fazer cocô todos os dias.

Em paralelo, a pega de Ernesto seguia sem ser muito boa e profunda e isso foi também machucando meu seio. Parece que fui completando a cartela do bingo dos problemas na amamentação: síndrome de Raynaud, ducto entupido e candidíase mamária, além da baixa produção que persiste.


Eu sei que no momento de desespero e buscando alimentar meu filho, me rendi à mamadeira. Lembro bem da primeira vez que dei a mamadeira pra ele. Eu chorava de soluçar. Era como se ali eu tivesse perdido toda a luta pela amamentação. Já estava frustrada por não conseguir amamentar exclusivamente e, agora pra completar, tava usando a mamadeira. Pra mim isso teve um peso enorme porque eu fiz curso de consultora de amamentação e tenho muita informação e prática ajudando outras mulheres, mas me vi nessa situação. Um medo gigante do meu bebê largar o peito por confusão de bico...e esse medo continua! Afinal, estamos aqui há 5 meses na amamentação mista e usando mamadeira. Sei que tô me esforçando pelo melhor pra ele e tentando sempre lembrar que cada gota que eu consigo ofertar do meu leite, já é algo super importante e agora encarando a mamadeira como aliada para que Ernesto engorde e cresça saudável. Não tá sendo fácil, mas cada vez que ele mama no meu peito, sinto uma enorme gratidão!

Texto: Gabriela Mello

Agosto de 2026



Facebook
WhatsApp
LinkedIn
Twitter
Copiar URL
Olá, em que podemos ajudar? Sinta-se a vontade em me chamar no Whats.
Logo do Whatsapp