Amamentar: uma nova chance de viver a maternidade por inteiro
Fui mãe muito jovem, aos 21 anos, e depois aos 23. Amamentei meus dois filhos até aproximadamente um ano cada um.
Antes das gestações, eu tinha seios grandes e bonitos, que eram importantes para a minha autoestima. Depois das amamentações, eles atrofiaram. Eu tinha apenas 24 anos, era solteira e senti que havia perdido uma parte importante do meu corpo e da imagem que tinha de mim mesma. Decidi colocar próteses de silicone e precisei também fazer uma mamoplastia.
Aos 47 anos, uma gravidez inesperada me trouxe novamente a maternidade e, com ela, uma grande angústia: será que eu conseguiria amamentar?

Eu queria muito. Viver a maternidade novamente, agora mais madura e consciente, para mim precisava incluir a amamentação. Eu queria experimentar outra vez aquele lugar de entrega absoluta, em que o vínculo se fortalece a cada mamada; em que, além de nutrir, eu também sou nutrida.
E, graças às deusas, foi possível.
Hoje, Natan tem seis meses e seguimos em amamentação exclusiva. São seis meses de pura sintonia, entrega e êxtase.
Amamentar novamente, depois de tantos anos e de tantas transformações no meu corpo, tem sido também uma forma de reencontrá-lo. De fazer as pazes com ele. De reconhecer nele não apenas beleza, mas potência.

Hoje, amamentar é, para mim, viver a maternidade com o corpo inteiro. É vínculo, presença, entrega e amor.
Texto: Lilia
Agosto de 2026
